sexta-feira, 2 de março de 2012

Amo muito tudo isso

Outro dia criei uma definição para meus sentimentos de mãe: é como uma mistura de masoquismo com McDonald´s "sofro, canso, mas amo muito tudo isso"
 
Eu descobri que nasci para ser mãe. O que talvez me falte é o jogo de cintura para lidar com todo o resto da minha vida.
 
Passo muitas horas com o meu lindo filhote e não troco isso por nada. Digo que estou cansada, mas no fim das contas ai de alguém querer me dar folga para eu descansar e deixar o Lucca longe de mim.
 
Agora, porque estou cansada? Bom, vejamos...
 
Acordo 6h
Pego o Lucca 6h20 na cama
Chego na escolinha às 6h58
Trabalho das 7h05 às 15h quando a Band me permite tamanha pontualidade
Daí pra frente é cuidar da casa e do pequeno
 
Chego em casa todo dia apertada para ir ao banheiro. Muitas vezes almocei algo do McDonalds no carro mesmo porque é comum não dar tempo de comer e pegar o pequeno na hora certa.
Aí tem uma quantidade de bolsas e papelada para tirar do carro.
Já em casa deixo o pequeno no chão, vou ao banheiro, fico de olho nele...
Passo aspirador de pó em tudo que é visível por causa dos pêlos do meu cachorro e fico de olho nele...
Ele sorri fazendo arte.
 
Entro em ação porque ele está prestes a fazer algo errado.
 
O coloco no cercadinho e vou lavar a louça e colocar as mamadeiras para esterelizar.
Água no fogo para ferver.
Olho nas coisas que ele joga para fora do cercadinho e são desejadas pelo cachorro.
Ele reclama do cercadinho.
Eu o pego e ele dá aquele sorriso que mata.
 
Hora da papinha.
Esquento a papinha, separo colher, guardanapo, fruta de sobremesa, colher para a fruta, mamadeira de água, babador.
Coloco o bebê na cadeirinha, ele reclama.
Faço careta, ele sorri bem grande.
 
Passo os próximos 30 a 40 minutos dando o jantar vespertino sem parar um segundo de cantar, balançar a cabeça, piscar os olhos de forma bizarra para atrair a atenção do meu espectador favorito.
 
Ele se enche.
Pego equipamentos ultratecnológicos para fazer a higienização da boca com 6 dentes. (água e gaze)
Escovo a gengiva dele e os dentes em meio a mordidas doidíssimas e sorrisos marotos.
 
Pronto. Hora de brincar.
Olho nele. Olho na Tv.
Olho nele.
Entro em ação.
 
Hora de trocar a fralda.
 
Mais brincadeira.
Olho nele.
 
Passado um tempo, hora da mamaderia de leite.
Ele fica animado.
Mama tudo e agora não dorme o soninho do leite, portanto... Mais brincadeira.
 
Aproveito para lavar o que foi gerado de louça na janta dele.
Preparo a mochila para o dia seguinte na escolinha.
Olho nele.
 
Quando dá 20h e um pouco chega o meu marido.
Fazemos o jantar ou lanche, de olho nele que já está com sono e um pocuo menos paciente.
 
Chega a hora do banho.
Eu sigo para fazer a mamadeira vitaminada.
Volto para ajudar na secagem, higienização das orelhinhas e dar a dose de vitamina.
O papai dá a mamadeira, eu dou o beijo para bons sonhos.
Tomo banho e simplesmente me jogo como uma pedra na cama porque amanhã, é outro dia.
 
 

 

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Novos tempos

A pedido de um querido colega meu e excelente cinegrafista, André Alexandre, volto a escrever no meu blog. Mas para isso preciso mudar de foco. Não posso postar textos jornalísticos como era a minha intenção inicial. Para poder escrever com mais frequência tenho que falar do que venho vivendo e é exatamente por isso que me falta tempo.









Começo com o dia de hoje quando apresentei pelo terceiro dia consecutivo o Band Folia no estúdio da Band em São Paulo. Foi muito divertido porque, depois de 14 anos na empresa, me senti muito paparicada. Como a roupa que eu deveria usar no dia de hoje não deu certo no cenário virtual, tive que fazer mais duas trocas de roupa, sapato, brincos e pulseiras em menos de 15 minutos.

Tinha tanta gente em cima de mim que eu me senti a própria JLo...rs

Em um momento de silêncio eu parei para realmente perceber onde eu estava. No mesmo estúdio onde comecei a trabalhar como estagiária há mais de uma década. Quando era assistente de produção e fazia exatamente o que as meninas da produção de hoje fizeram por mim e para mim.

Que sensação curiosa.

Ao mesmo tempo que gostei muito de ver que caminhei de verdade na minha carreira, quis poder agradecer à toda equipe que estava comigo, porque sem eles eu não sou nada.

Saí da Band de volta para casa com a sensação de dever cumprido e com gostinho de quero mais.

Um beijos a todos.
Marina

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Doação de órgãos

Só conhece a angústia e o desespero da expectativa por um órgão quem precisa dele ou tem algum parente que está doente. Hoje você pode viver outra situação e achar que a doação de órgãos não é importante, mas e se amanhã tudo mudar e você se tornar um paciente na lista de espera?
 
Atualmente 31 mil pessoas aguardam pela boa notícia de ter uma nova chance na vida. Destas, 20 mil estão à espera de um rim. Uma realidade assustadora para quem, como eu, entrou em um centro de hemodiálise e viu pacientes que fazem o tratamento de quatro horas, três vezes por semana, há 10, 15 ou 20 anos.
 
Em outro encontro, uma mãe chorava ao se dizer impotente para salvar a filha de 16 anos que é a primeira na lista de espera por um fígado. Giulia não pode mais ir à escola, fala baixo e pouco mas consegue dizer que sonha em voltar a ser uma adolescente normal.
 
No Brasil a doação de órgãos deve ser autorizada pela família e não há a necessidade do doador deixar um documento por escrito antes de falecer. Há ainda as doações em vida como a de parte do fígado, a de rim e a de medula óssea.
 
Para se tornar um doador de órgão vital é preciso que o paciente tenha a morte encefálica declarada. Isso significa que o cérebro parou de funcionar, mas o coração não pode parar de bater. O que mais leva uma pessoa a ter morte encefália são acidentes vasculares cerebrais, chamdos de AVC e traumatismos cranianos comuns em acidentes de carro.
 
No caso de ossos, pele e córneas, o doador pode ter falecido de praticamente qualquer razão. A boa notícia é que em São Paulo não há fila de espera para um transplante de córnea.
 
Aliás, a diferença de estrura para a realização de transplantes entre Estados é marcante. Enquanto São Paulo possui o primeiro hospital público especializado em transplantes e o o Hospital do Rim e Hipertensão que mais faz o procedimento no país e no mundo, alguns Estados brasileiros simplesmente não possuem equipamentos básicos e equipes treinadas para a captar e transplantar órgãos. Nas regiões sudeste e sul , há uma concentração de profissionais especializados, enquanto as outras regiões do país ficam desprovidas de equipes, principalmente na região norte onde a média de doadores e de transplantes é bem abaixo do resto do país.
 
Quando falo em equipes é importante citar a logística necessária para levar um órgão saudável de um doador falecido até o paciente.
Ao constatar a morte encefália, o hospital notifica a central de captação mais próxima - que no caso de São Paulo, a gerência é no Hospital das Clínicas. Essa central tem acesso à lista de espera e informa o hospital responsável pelo paciente que deve fazer a captação do órgão. Para isso pode ser utilizado o transporte aéreo como o helicóptero Águia ou o terrestre. Assim que o órgão chega ao hospital, o paciente segue para o centro cirúrgico em faz o transplante. Ao ter a alta ainda é necessário um acompanhamento por causa dos remédios que a pessoa deverá tomar por toda a vida para não rejeitar o transplante.
 
Além da falta de estrutura há ainda outro problema, a falta de informação que leva muitas famílias a negarem a doação porque acreditam em mitos. Então preste atenção.
 
Morte encefálica não é igual a estado de coma. Com este diagnóstico a pessoa evoluiu a óbito e não pode voltar à vida.
O procedimento de retirada dos órgãos é feito como uma cirurgia qualquer, fechando e suturando o corpo do falecido sem deixar nenhuma desconfiguração.
O caixão poderá ser velado aberto e não dificulta em nada o sepultamento.
As informações sobre o doador e os receptores dos órgãos são sigilosas.
 
Doe órgãos e salve vidas.

domingo, 10 de julho de 2011

Adeus Liga Mundial de Vôlei

Sem fôlego. Foi assim que passei parte da tarde de hoje ao assistir o jogo do Brasil na final da Liga Mundial. Tendo assistido a todos os jogos anteriores, e sendo fã assumida do esporte, xinguei, berrei, aplaudi e no fim terminei bastante irritada.

O vôlei masculino, principalmente nas mãos do Bernardinho, é para mim como um filme americano. Sempre há uma luta eletrizante que nos faz pensar que o mocinho vai perder, mas no final tudo termina bem.

Foi assim a partida contra Cuba. Foi assim o segundo set contra a Argentina. e poderia ter sido assim contra a muralha russa, mas o que vi foi um Brasil que repetidamente sacou e atacou para fora da quadra.

Os juízes erraram, ok. Mas os nossos jogadores, em especial o Sidão, que há pelo menos dois jogos não acerta um saque sequer, deixaram a desejar. Portanto a Rússia mereceu.

Devo fazer jus a quem jogou bem como Theo, Giba, Bruninho e Serginho. Lucão, Murilo e Rodrigão também tiveram seus momentos.

Não foi desta vez. Ficamos com a vontade de quero mais. Quem sabe as meninas que começam a competir no Grand Prix esta semana, possam nos dar essa alegria.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Quem mandou votar no Cristo?

A sétima maravilha do mundo não deveria ser o Cristo Redentor, mas a vista da pedra onde o presente dos franceses foi colocado. Dito isso, sugiro que quem tiver o interesse de ver o Rio de Janeiro do alto junte dinheiro para um vôo de helicóptero que valerá mais a pena.

E se a vontade for descomunal de chegar perto da imagem do Cristo, faça a visita durante a semana, de preferência às quartas-feiras. Aos finais de semana e aos feriados, quando uma horda de visitantes procura este marco brasileiro, o programa se torna uma violência física e mental.

Estive com minha família no Cristo este final de semana. Minha mãe, marido, enteada (razão para o passeio) e bebê de 2 meses. Chegamos ao sopé de taxi na tentativa de subir de trem. Na entrada fomos avisados que o próximo trem disponível seria o das 20 horas, e eram apenas 16h. Pagamos então 20 reais por pessoa para subir de van até um ponto onde deveríamos comprar o ingresso para ir ao Cristo e subir com outra van, desta vez, do Ibama. Cada ingresso custaria 24 reais.

Na primeira van ficamos presos em um congestionamento causado por carros estacionados dos dois lados da estreita estrada e veículos que tentavam descer pelo caminho por onde subíamos. Vi dezenas de pessoas a pé e já fiquei preocupada. Descemos da van e seguimos com o bebê no colo só para deparamos com uma fila com no mínimo 500 pessoas. Subimos e descemos o aglomerado na tentativa de obter informações já que estávamos com um bebê. Fomos avisados que só aceitam dois adultos como prioridade e que minha mãe e minha enteada não poderiam passar na frente da fila. Um absurdo...

Meio que sem querer conseguimos entrar todos sem ter que esperar 2 horas.

Subimos até a base do Cristo e vimos a gigantesca fila para quem queria descer de trem e uma outra que dava voltas e mais voltas para quem queria pegar a van de retorno. Um vislumbre amedrontador do nosso futuro próximo.

Nos acotovelamos para chegar à fila do elevador (porque a escada estava lotada de pessoas agitadas) e subimos. Ao chegar lá em cima, com o sol se pondo, disputamos espaço com centenas de visitantes. Alguns deitados no chão tirando fotos, outros se debruçando nas laterais para ver melhor a paisagem. O Cristo se ascendeu em luz branca, todos aplaudiram e eu me perguntei : podemos ir embora? Tiramos algumas fotos ali, aqui e acolá e resolvemos começar a descida.

Primeira fila: o elevador.
Salvação: meu bebê nos colocou na frente e descemos rápido.

Segunda fila: van do Ibama. A fila descia pelo caminho em curvas e as pessoas aguardavam sem iluminação em uma estreita calçada. Senhoras, famílias com crianças de diversas idades... terrível imaginar o sofrimento e o cansaço.
Salvação:meu bebê nos colocou na frente e descemos rápido.

Terceira fila: para voltar com a van tivemos que subir no escuro pela estrada até a entrada de um suposto hotel. Com o bebê sendo carregado em um "canguru" vislumbramos uma gigantesca fila que descia a estrada por onde passavam poucos veículos.
Salvação:meu bebê nos colocou na frente e descemos rápido.

Pelo caminho vimos pessoas a pé, na escuridão, percorrendo a estrada que não tem acostamento. Algumas iam para os carros deixados no caminho horas e horas antes. Sem segurança, sem direcionamento e pagando caro.

O Cristo não chegou ao Brasil na semana passada, nem passou a receber visitantes há um mês. Feriados e finais de semana são bastante frequentes. Portanto, porque a Secretaria de Turismo do Rio não toma providências? Porque o Ministério da Cultura não age? É uma vergonha vivenciar a mais completa falta de estrutura na visitação de um monumento, símbolo do Brasil. E para não dizerem que reclamar é fácil, aqui vão simples sugestões para melhorar a vida de quem quer conhecer o Cristo Redentor:

Limitar o número diário de visitantes.
Proibir a subida de veículos particulares. (liberados apenas os moradores com selo específico)
Maior policiamento e agentes para dar informações.
Aumentar a frota de vans dos dois percursos.
Aumentar número de banheiros.
Possibilitar a compra de ingresso pela internet.
Possibilitar o agendamento da visita nos guichês e pela internet.

Se o respeito pelos turistas e visitantes não basta para fazer os governos municipal, estadual e federal agirem, é bom lembrar que vamos sediar uma Copa do Mundo e uma Olimpíada. E se nada for feito talvez tenhamos que criar duas novas modalidades esportivas, a da resistência e a da paciência.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Orgulho de irmã

Pode até parecer "puxa saquismo" mas hoje quero indicar o site da produtora de vídeos e filmes do meu irmão e seu sócio. Como jornalista tento sempre ser o mais imparcial possível, só que trabalho bem feito merece ser divulgado.

Não tenho culpa do rapaz ser muito bom...rs

No portifólio vocês poderão ver o que a dedicação e o comprometimento com a qualidade, a pureza e a poesia das situações fazem com o resultado do material. Vídeos lindos.

www.kanafilmes.com

Até a próxima.
Marina

quinta-feira, 16 de junho de 2011

O idealismo do livre arbítrio

Logo na abertura do ato III, cena I, Hamlet proclama a frase mais famosa das obras de William Shakespeare: “Ser ou não ser – eis a questão”. Para o personagem “ser” era estar vivo e “não ser” representava a morte.  Mas até hoje estas palavras são usadas em questionamentos mais filosóficos do que a intenção do seu primeiro interlocutor. Me apropriando desta simples dúvida existencial, eu pergunto: qual é a nossa autonomia em “ser”?

Quem é você? Quanto de você é de sua própria escolha e autoria? Temos a certeza de que somos assim ou assado porque nos constituímos desta forma durante a vida, mas há quem conteste. Veja só:

-Para os que acreditam na reencarnação tudo começa antes do nascimento onde você já é alguém e chega nesta vida com um karma e com propósitos x ou y. 
-Na gestação, a cor da pele, dos olhos, dos cabelos, a altura, os futuros problemas de saúde, os já presentes problemas genéticos... tudo acontece pela hereditariedade dos pais deixando o recém chegado sem opções.
-Quando nasce está definido: se é libriano vai ser de um jeito, se é geminiano, de outro.
-O time ou esporte do coração são embutidos durante a infância pela família. O gosto musical segue a mesma linha.
-Se a família come com garfo e faca ou pauzinhos, se arrota na mesa ou é refinada e usa guardanapo de pano, se come de boca aberta ou de boca educadamente fechada... essa cultura do certo e do errado é quase impossível de quebrar depois de mais velho.
-Se a sociedade ao redor da pessoa mata recém nascidos se forem meninas, se a mulher é vista como segundo escalão, se encher de porrada os filhos é normal, se comer carne é proibido... o pobre coitado do ser humano recém chegado já está fadado a ver o mundo com estes estigmas.
-Somos regidos pelo instinto animal queiramos ou não. É possível controlar as grandes explosões de raiva, mas vamos sempre lutar pela sobrevivência, as mães vão ter a audição mais apurada por causa dos bebês, e alguns reflexos ao defender um ente amado são inevitáveis.

Posso dar mais alguns exemplos mas acho que já ficou claro onde quero chegar. Somos individualmente fruto de pré-definições. E aquele que está revoltado pensando que isto é um absurdo, que tem todo o controle sobre suas escolhas, cuidado. Você é o que é pelo que viveu e como chegou até aí. E só chegou aí pelos meios que a vida e a genética os deram.

Sim,é óbvio, nós genuinamente pensamos por nós mesmos ( em alguns momentos ), há pessoas que quebram paradigmas de sociedades, pessoas além de seu tempo, ovelhas negras entre a maioria. Só vale realizar que em boa parte do tempo somos fruto de uma grande falta de livre arbítrio. Ainda bem que gosto de quem sou e de como sou, mas para quem quer se reinventar... boa sorte.